Acabar com a guerra na região: Grito de socorro da deslocada Regina Mateus


Regina Inácio Mateus, casada, mãe de seis filhos, deslocada de Muedumbe-Chitunda e residente em Pemba desde 2019, conta que se refugiou em Pemba devido aos dois últimos ataques perpetrados pelos insurgentes na sua aldeia, que ceifaram a vida de muitas pessoas, deixando a população aterrorizada e em pânico.

Conta que teve de abandonar a sua aldeia com dois filhos gémeos ainda em fase de amamentação. Após percorrer as matas durante dois dias com os outros filhos e o marido, chegou a Pemba, onde a família passou a residir na casa de um familiar que os acolheu. Contudo, a permanência durou apenas três meses.

“O número de membros da minha família era grande e começaram os desentendimentos. Eu e o meu esposo tivemos de procurar uma casa emprestada para viver enquanto nos organizávamos. Foi aí que tivemos a sorte de encontrar a casa onde actualmente vivemos”, relatou.

Regina recorda que era feliz na sua aldeia porque produzia grande parte dos alimentos que consumia.

“Muitos produtos agrícolas eu não comprava, produzia-os na minha machamba. Aqui tenho de comprar tudo. O pouco que o meu marido consegue ganhar serve apenas para comprar arroz, farinha, óleo, pagar a energia, a água e a renda da casa, e não sobra nada para outras despesas. Se estivesse na minha aldeia, o pouco dinheiro que tenho serviria para outras necessidades que não é possível produzir na machamba”, lamentou.

“Quero voltar para a minha terra. Estou a sofrer. Tenho de viver longe do meu marido porque não posso regressar com as crianças. A minha família já não tem roupas decentes, a nossa alimentação já não é a mesma e adoecemos frequentemente. Em casa não passam dois meses sem que alguém fique doente”, resmungou.

Regina apelou ao fim da guerra e pediu ao Governo que faça todo o possível para pôr termo aos ataques, intensificando as acções militares contra os insurgentes nas zonas mais afectadas, como Muidumbe e Macomia. (Maria Forquilha)

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