Os centros de saúde do distrito de Lichinga, na província do Niassa, registam um aumento preocupante de casos de violência baseada no género envolvendo raparigas órfãs, segundo informações avançadas por profissionais de saúde locais.
De acordo com os técnicos das unidades sanitárias, muitas das vítimas vivem com familiares e enfrentam dificuldades para denunciar os abusos. “Muitas vítimas vivem com familiares e não denunciam por medo de perder abrigo ou por ameaças”, revelaram os profissionais.
A situação preocupa igualmente os membros da comunidade, que apelam à tomada de medidas urgentes para travar o fenómeno. “É lamentável esta subida de casos, pois mina o crescimento, o desenvolvimento e o aproveitamento escolar das raparigas. Pedimos às entidades competentes que ponham fim a esta situação”, afirmaram alguns residentes.
Por sua vez, o Serviço Distrital de Saúde, Mulher, Criança e Acção Social alertou para as graves consequências que estas raparigas enfrentam. Segundo a instituição, em cada 10 raparigas que vivem neste contexto, cerca de cinco testam positivo para o HIV durante os atendimentos de saúde e rastreios realizados. As autoridades de saúde defendem uma intervenção imediata dos órgãos competentes para proteger as vítimas e reforçar os mecanismos de prevenção e assistência.
A instituição aconselha ainda as raparigas que enfrentam situações de violência a denunciarem os casos às autoridades e aos serviços de apoio disponíveis, de modo a garantir a sua protecção e o acesso à assistência necessária.
As autoridades e organizações de defesa dos direitos da criança são chamadas a reforçar as acções de sensibilização e protecção, visando reduzir os índices de violência baseada no género e assegurar um futuro mais seguro para as raparigas do distrito. (Hermelinda João)

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