Elaborado na base de fontes locais
Mueda, 20 de Junho de 2026 – A visita do primeiro secretário do Comité Distrital da FRELIMO em Mueda, Damião Mandaia Chongo, no dia 18 às instalações da Rádio e Televisão Comunitária de Mueda reacendeu o debate sobre a crescente influência do partido no poder sobre os meios de comunicação social comunitários em Moçambique.
Durante o encontro com funcionários e colaboradores da estação, o dirigente anunciou a revitalização de um Comité de Gestão que passará a trabalhar de forma permanente com os jornalistas e profissionais da rádio. Segundo explicou, a iniciativa visa fortalecer a ligação entre a rádio e a comunidade, acompanhar o funcionamento da instituição e contribuir para a resolução dos seus desafios.
Comité de Gestão de uma radio comunitária é um fórum que representa a comunidade, que tem entre várias intenções, contribuir para o bom funcionamento da rádio comunitária, levar as preocupações ou observações da população a rádio e vice-versa, sugerir melhorias na programação da rádio e outras ideias. Este normalmente é composto por pessoas de várias extratos sociais, porém ao serem membros da FRELIMO chama atenção a questões de captura dos médias.
No entanto, a decisão de colocar uma estrutura ligada ao partido governamental a acompanhar de perto o trabalho dos jornalistas poderá ser interpretada por alguns observadores como mais um sinal da crescente aproximação entre o poder político e os órgãos de comunicação social, levantando preocupações sobre a liberdade editorial e a independência da imprensa comunitária.
Ao longo da sua intervenção, Chongo sublinhou que a FRELIMO está presente para fortalecer o funcionamento da rádio, recordando igualmente que o partido dirige o Governo e a população independentemente da filiação partidária dos cidadãos. Estas declarações podem alimentar receios de que os espaços mediáticos comunitários estejam a ser progressivamente integrados nas estratégias de mobilização política da formação governamental.
Por sua vez, os profissionais da rádio aproveitaram a ocasião para apresentar vários problemas que afectam o seu trabalho diário, entre eles a falta de água, insuficiência de meios de transporte, carência de equipamento informático e a necessidade de aumentar o alcance da frequência da estação. Os funcionários também apelaram à população para reforçar a escuta dos conteúdos produzidos pela rádio.
No encerramento da visita, o primeiro secretário agradeceu o empenho dos trabalhadores perante as dificuldades existentes e recomendou maior colaboração, coesão, respeito e sigilo entre os funcionários. Orientou ainda o novo Comité de Gestão a definir estratégias de trabalho, descrevendo-o como um órgão de fiscalização e mobilização.
Analistas da comunicação social defendem que o apoio institucional aos meios comunitários é importante para superar limitações técnicas e financeiras. Contudo, alertam que qualquer intervenção partidária deve respeitar os princípios da liberdade de imprensa, da pluralidade de opiniões e da independência editorial, elementos fundamentais para garantir que as rádios comunitárias continuem a servir o interesse público e não apenas os interesses políticos de quem detém o poder.
E se a moda pegar 🫴? vai-se a degradação da liberdade de imprensa ao nível dos distritos de Cabo Delgado sobretudo onde há rádios comunitárias, tendo em conta que a situação actual é preocupante. (Mozanorte)

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