PT de Cabo Delgado pode atingir 300 mil mensal de corrupção - estimam motoristas

E tudo fazem para sempre sairem a ganhar 

E para extorquir aos motoristas perguntam coisas de forma a apertar. Aqui tendo ou cometido tem de deixar qualquer coisa. 

Outro truque é posicionarem cruzamentos para alegar quaisquer coisa, para o motorista tirar algum dinheiro.

Motoristas da província de Cabo Delgado mostram-se agastados com a alegada má actuação da Polícia de Trânsito, acusando os agentes de transformarem os postos de controlo em verdadeiros “portões”, onde cobram uma taxa mínima de 200 meticais, podendo o valor atingir o equivalente à tarifa paga por um passageiro.

Segundo relatam os motoristas, sobretudo os que fazem transporte semicoletivo de passageiros (chapas) em diferentes vias da província, em cada posto de controlo são cobrados valores que variam em função da distância percorrida e da decisão dos agentes de trânsito.

“Cada vez que o preço do combustível sobe, o valor que os agentes de trânsito nos cobram nos controlos também aumenta. Não podemos passar pelos postos sem deixar algum valor. Caso contrário, no dia seguinte somos alvo de cobranças acompanhadas de ameaças de multa”, explicou Acora, transportador na rota Pemba–Montepuez.

Acora acrescentou que, no percurso entre Montepuez e Pemba, existem seis postos de controlo, onde os transportadores são obrigados a deixar, no mínimo, 400 meticais. Para ele, esta prática não é lógica e pode configurar uma burla ou mesmo uma rede instalada dentro do Departamento da Polícia de Trânsito ou ao nível do Comando Provincial. 

“A pergunta que colocamos é: esse dinheiro que nos é cobrado diariamente chega aos cofres do Estado ou é um valor que estamos a entregar para benefício pessoal dos agentes? Nós já temos muitas despesas, desde combustível à reparação das viaturas em caso de avaria. O mesmo valor que levamos para sustentar as nossas famílias acaba por ser gasto nestas cobranças”, disse Albino Abibo (nome fictício), transportador da rota Pemba–Montepuez.

Abibo explicou que a actividade de transporte de passageiros já não gera lucros significativos, uma vez que existem vários encargos ao longo do percurso. Segundo ele, os transportadores pagam aos chamados “rauedores”, aos agentes da Polícia de Trânsito, aos chamados “polícias cinzentinhos”, além das taxas cobradas nos parques e terminais, acabando por ficar sem qualquer rendimento.

Refira-se que a província de Cabo Delgado conta com mais de 25 postos de controlo, incluindo os móveis, que são os mais temidos pelos motoristas, uma vez que frequentemente se posicionam em curvas para atribuir infrações aos condutores.

Em condições normais, os regulamentos de trânsito não permitem que brigadas móveis realizem operações de fiscalização em curvas, uma vez que essa prática pode contribuir para a ocorrência de acidentes, sobretudo quando os motoristas são surpreendidos pela presença dos agentes.

Vamos as somas: os motoristas tentaram somar 200 meticais x 25 postos x 30 dias ou 400 meticais x 25 postos x 30 dias, o resultado pode ser uma bomba. (Abel Buruhane)

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