População de Macomia e Quissanga denuncia exploração intensiva de madeira e sente-se excluída dos benefícios


Moradores dos distritos de Macomia e Quissanga em Cabo Delgado, manifestam crescente preocupação com a exploração florestal que, segundo afirmam, está a ser realizada por empresas chinesas sem que as comunidades locais beneficiem da actividade.

De acordo com relatos de residentes, a população enfrenta grandes dificuldades para aceder às zonas de mata devido à insegurança provocada pelos ataques insurgentes. Entretanto, empresas madeireiras continuam a operar normalmente, utilizando dezenas de tractores e explorando extensas áreas florestais.

Os moradores afirmam que a exploração é tão intensa que já enfrentam dificuldades para obter madeira destinada à construção de mobiliário para uso próprio ou para comercialização. 

Segundo os residentes, áreas localizadas entre Nangororo e a ADPP, em Quissanga, bem como Litamanda, Chai e Machova, em Macomia, apresentam sinais avançados de degradação ambiental.

As comunidades dizem ainda sentir-se excluídas das oportunidades de emprego geradas pela exploração da madeira. Nos relatos,dizem que as empresas recrutam trabalhadores provenientes de outros distritos, enquanto os habitantes locais, que conhecem profundamente aquelas zonas, permanecem sem acesso ao trabalho.

Outra preocupação apontada pelos residentes é a alegada falta de consulta às autoridades tradicionais e às comunidades antes do início das operações. De acordo com as fontes locais, as empresas iniciam as actividades sem informar os chefes das aldeias nem explicar os impactos da exploração.

Os moradores de Machova recordam que, anteriormente, o Governo terá orientado a população a preservar determinadas áreas por fazerem parte de uma zona protegida. No entanto, afirmam que actualmente essas mesmas áreas estão a ser exploradas por empresas madeireiras, sem que haja, segundo dizem, indemnizações pelos danos causados às comunidades.

Uma das empresas mencionadas pelos residentes é conhecida localmente por "Cabeça Grande", apontada pelas fontes como uma das principais responsáveis pela exploração em diversos distritos, incluindo a aldeia Nkoe. 

Refira-se que as alegações não puderam ser verificadas de forma independente, muito menos fonte do governo comentou sobre isso.

As fontes acrescentam que, durante uma das actividades de exploração, trabalhadores terão encontrado um grupo insurgente, tendo sido alegadamente agredidos e obrigados a abandonar o local. Também esta informação carece de confirmação oficial.

Segundo moradores da região norte de Mota, a exploração intensiva deixou vastas áreas praticamente sem árvores de valor comercial, restando sobretudo terrenos destinados ao cultivo agrícola. A população teme que a continuidade desta actividade comprometa os recursos naturais e os meios de subsistência das comunidades locais. (Mozanorte)

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