Na segunda-feira, 20 de julho do corrente ano, em pleno dia, o professor Noel Julai terá supostamente ameaçado de morte uma colega de trabalho e o próprio filho dela, recorrendo a uma arma branca (catana), na Escola Básica da aldeia de Niviko, no Posto Administrativo de Bilibiza, distrito de Quissanga, na zona costeira da província de Cabo Delgado.
Segundo a professora Marta Samuel, o colega dirigiu-se ao seu quintal e ameaçou matá-la com uma catana, chegando a encostá-la ao seu pescoço. De acordo com o seu relato, o mesmo comportamento foi adoptado contra o próprio filho, menor de idade, com quem vive.
"O colega não podia fazer isso e deixar-me com medo. Devia, sim, agradecer, porque em alguns momentos o seu filho come na minha casa, já que ele não tem tempo para cozinhar. A vida dele é só embriaguez", afirmou Marta Samuel.
Por sua vez, o director da Escola Básica de Niviko, Leonardo Cabisa, afirmou que não é a primeira vez que Noel Julai protagoniza este tipo de comportamento. Segundo o diretor, em 2019 o professor ingeriu álcool, alegadamente associado ao consumo de suruma, e provocou distúrbios na escola. Na ocasião, outro professor envolvido no mesmo episódio acabou por ser transferido para outra instituição.
"O que fez desta vez foi ainda mais grave. Depois de ameaçar de morte a professora Marta e o próprio filho, criou distúrbios na secretaria e em algumas salas de aula. Os alunos fugiram para as suas casas, tendo em conta que a zona já vive um ambiente de insegurança", disse Leonardo Cabisa.
Cabisa acrescentou que o caso está nas mãos da direção da escola, em coordenação com o Conselho da Escola, para o devido acompanhamento e encaminhamento disciplinar do professor Noel Julai.
Contactado sobre o caso, o director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Quissanga, Onésio Alfredo, confirmou que o processo está a ser tratado e garantiu que será encontrada uma solução.
"Lamento profundamente o sucedido, sobretudo pelos alunos, que ficaram agitados devido à insegurança na zona e ao comportamento negativo de um educador", afirmou Onésio Alfredo.
Entretanto, a direcção do Conselho da Escola considera que Noel Julai deveria reconhecer o apoio prestado pela colega Marta Samuel ao seu filho, que frequentemente é acolhido e alimentado na casa dela. Acrescenta ainda que a esposa do professor o terá abandonado devido ao seu comportamento e defende que o caso seja devidamente analisado, propondo o seu afastamento para outra zona, em função da gravidade da sua conduta. (Abel Buruhane)

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