Os deslocados que se encontram há anos no distrito de Metuge, na zona costeira da província de Cabo Delgado, sentem-se descartados em vários aspectos, nomeadamente no acesso a projectos, apoio alimentar e apoio moral.
Segundo o nosso entrevistado, Anli Antumane, está no distrito de Metuge, na aldeia 25 de Junho, há quatro anos, desde que a sua aldeia foi invadida por terroristas, em Cagembe, distrito de Quissanga.
“Nos primeiros dias em que chegámos ao local de reassentamento, tínhamos acesso à alimentação e apoio moral. Constantemente recebíamos lonas para a proteção contra a chuva e os raios solares. Até a zona estava a ser canalizada; construíam fontanárias que nos permitiam tirar água para o nosso consumo”, disse Anli Antumane.
Anli Antumane disse ainda que, actualmente, esses apoios já foram interrompidos e que há quatro anos não recebem os mesmos benefícios. Segundo ele, sempre que têm tendência de regressar às suas zonas de origem, registam-se grandes agitações devido à presença de insurgentes.
“Até este momento, as fontanárias onde íamos buscar água estão interrompidas e a água já não sai. As machambas são cedidas pelos nativos mediante pagamento. Eles emprestam-nos as machambas, mas, quando veem que produzimos muito, cobram-nos um ou três sacos de produtos alimentares”, explicou Alima Jorge, deslocada de Quissanga.
Alima Jorge explicou que, quando produzem em quantidade, algumas pessoas chegam a entrar clandestinamente nas machambas para roubar os produtos.
“Apoio não recebemos e aquilo que produzimos é roubado. A situação não para. Onde podemos assegurar que estamos livres?”, questionou.
Assuna Camisa avançou que o regresso às suas zonas de origem será difícil, porque o medo ainda permanece nas suas memórias, impedindo o retorno.
“Nós estamos a pedir emprestadas as machambas para tentar esquecer os apoios que já deixaram de nos dar. E os donos das machambas estão a humilhar-nos em tudo”, lamentou Assuna Camisa.
Na ocasião, alguns deslocados, que pediram anonimato, disseram que, para que os deslocados fossem retirados daquele local, alguém teria prometido pagar para a realização de algum empreendimento. Por isso, segundo eles, “os nossos irmãos foram retirados”.
“Antes, aquele local estava difícil para entrar. Com a chegada dos deslocados, o solo ficou totalmente compactado e agora é preciso [intervenção]”, afirmou um dos deslocados.»
Entretanto, neste momento, alguns deslocados já foram retirados da aldeia 25 de Junho e encaminhados para a via de Quissanga, depois da aldeia de Tratara. (Abel Buruhane em Metuge).

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