Onze crianças foram impedidas de viajar para a província do Niassa, onde, segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula seriam submetidas a actividades agrícolas.
O resgate ocorreu no sábado, 29 de agosto, na estação ferroviária de Namina, distrito de Mecuburi, de acordo com o porta-voz da PRM da PRM em Nampula Dércio Samuel.
Na sequência, dois homens que acompanhavam os menores foram detidos pela Polícia, após uma denúncia alertar as autoridades sobre a presença de várias crianças na estação. Os suspeitos preparavam-se para embarcar num comboio com destino a Cuamba.
De acordo com o porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, as averiguações indicaram que os menores tinham sido recrutados na região de Namina para trabalhar nas machambas do distrito de Mandimba, em Niassa.
Um dos detidos supostamente admitiu ter participado no recrutamento. Em declarações à Polícia, contou que recebeu orientações de um tio residente em Niassa para procurar crianças que pudessem trabalhar nas suas machambas, onde são produzidos milho e feijão.
O suspeito afirmou ainda que contactava os pais dos menores, que autorizavam a viagem mediante a promessa de uma remuneração de aproximadamente 10 mil meticais por cada época de venda dos produtos agrícolas. Alegou, entretanto, desconhecer que o recrutamento de menores para actividades laborais constituía crime.
Depois de recuperadas, as 11 crianças foram encaminhadas às autoridades competentes, enquanto os dois suspeitos permanecem detidos na Primeira Esquadra da PRM, na cidade de Nampula, aguardando os procedimentos legais.
O caso de Mecuburi é o terceiro relacionado com tráfico de menores registado pela PRM em Nampula desde o início de 2026. No total, as autoridades dizem ter recuperado 38 crianças e detido seis suspeitos.
O primeiro caso aconteceu em Malema, envolvendo 20 menores. O segundo foi registado a 10 de agosto, na cidade de Nampula, com sete crianças. O mais recente ocorreu em Mecuburi, resultando no resgate de outras 11.
Perante a recorrência dos casos, a PRM reforça o apelo aos pais e encarregados de educação para que acompanhem de perto os menores e tenham cautela ao autorizar que sejam entregues a terceiros para actividades laborais. A Polícia recorda que a exploração do trabalho infantil é proibida por lei. (Mozanorte)

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