Mueda: Entre latidos e medo, cresce o número de mordeduras caninas


Nas manhãs tranquilas da vila-sede de Mueda, em Cabo Delgado, é comum ver crianças brincando nas ruas de terra batida e adultos cumprimentando-se com sorrisos. Mas, ultimamente, há um novo som que vem despertando preocupação entre os moradores: latidos nervosos, correria e, em alguns casos, gritos de dor.

De Janeiro a março deste ano, 32 pessoas foram vítimas de mordedura canina no distrito, um salto de 52% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registados 21 casos. Os números foram partilhados esta semana por Rachide Amisse, responsável de Vigilância Epidemiológica, em entrevista à rádio local.

Segundo ele, a maior parte dos casos ocorre na vila-sede, onde há uma maior concentração de cães, muitos dos quais circulam livremente pelas ruas, sem qualquer controlo por parte dos donos.

Em resposta ao aumento dos casos, o sector da Saúde tem intensificado acções de sensibilização nas comunidades, enquanto capacita agentes polivalentes e comités de saúde para actuarem de forma mais eficaz na prevenção e resposta a esse tipo de ocorrência.

 

Mas, para as autoridades sanitárias, a solução não depende apenas dos serviços de saúde. “Precisamos da colaboração das famílias”, reforça Rachide. Cuidar dos animais, evitar deixá-los soltos e denunciar cães vadios ou agressivos são atitudes simples que podem salvar vidas.

Enquanto isso, na vila de Mueda, a preocupação cresce com cada nova história que circula: uma criança mordida a caminho da escola, um idoso atacado no quintal de casa, um cão desconhecido que aparece e desaparece, deixando um rastro de medo.

No meio do burburinho diário da vila, entre risos e passos apressados, fica o alerta: em Mueda, os latidos não são apenas sons do quotidiano são sinais de um problema que pede acção urgente.

 

 

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