A Associação Coalizão realizou, na sexta-feira (17), um encontro com jornalistas baseados na cidade de Pemba, durante cinco horas dedicado à análise e discussão do fenómeno dos casamentos prematuros na província de Cabo Delgado, com destaque para as comunidades e zonas de reassentamento de pessoas deslocadas devido ao conflito armado.
O encontro decorreu numa sala de reuniões da organização, localizada no bairro de Nanhimbe, e reuniu 21 participantes, entre jornalistas, criadores de conteúdos, coordenadores e representantes de diversas associações da sociedade civil.
Durante a sessão, os participantes debateram os principais desafios relacionados com as uniões prematuras, partilharam experiências, testemunhos, opiniões e apresentaram sugestões de soluções para reduzir os casos registados nos distritos de Balama, Ancuabe, Namuno e Montepuez, considerados entre os mais afetados devido à elevada vulnerabilidade das comunidades, sobretudo nas zonas de reassentamento.
Na ocasião, o delegado provincial da Associação Coalizão afirmou que, segundo dados e que foram apresentados durante o encontro, estima-se que 61% das raparigas em Cabo Delgado entram em união prematura antes dos 18 anos, enquanto 18% casam-se antes dos 15 anos. Citando dados da Pathfinder, acrescentou ainda que a província apresenta uma das mais elevadas taxas de gravidez na adolescência no país, com cerca de 65% das raparigas entre os 15 e os 19 anos já sendo mães ou estando grávidas.
Além da apresentação das estatísticas, os participantes abordaram as consequências das uniões prematuras, os obstáculos à sua prevenção e combate, bem como os mecanismos de denúncia disponíveis.
Entre as instituições indicadas para receber denúncias estão o Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ), os serviços de Acção Social e outras entidades competentes.
No encerramento do encontro, os organizadores recomendaram um maior envolvimento dos órgãos de comunicação social na abordagem do tema, defendendo que o combate aos casamentos prematuros deve continuar a ser uma prioridade da agenda pública.
Outrossim, destacaram ainda a necessidade de reforçar o investimento na educação, na formação técnico-profissional e no empoderamento de raparigas e crianças, deslocadas e não deslocadas, como medidas fundamentais para prevenir as uniões prematuras e responsabilizar todos os envolvidos na sua promoção. (Sifa Artur)

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