No âmbito do combate à união prematura, o Governo da província de Cabo Delgado tem concentrado as suas acções nas sedes distritais, deixando em segundo plano os postos administrativos, localidades e aldeias, onde este fenómeno é mais frequente.
Uma equipa do jornal "MozaNorte" percorreu os distritos de Chiúre, Balama, Namuno, Montepuez, Mecúfi e Metuge, onde constatou uma realidade preocupante.
Embora tenham sido criados Gabinetes de Atendimento de Género nas sedes distritais, incluindo nos comandos distritais da Polícia da República de Moçambique (PRM), a assistência ainda não alcança de forma eficaz as comunidades mais distantes.
Nas zonas rurais dos distritos visitados, foram encontradas jovens mães, com idades entre 15 e 18 anos, algumas já com três a seis filhos, sobrevivendo da agricultura de subsistência em pequenas machambas, cuja produção é insuficiente para garantir o sustento das famílias.
"Encontrámos mães menores de idade nas aldeias de Nahavara e 25 de Setembro, no Posto Administrativo de Chiúre-Velho. A situação é bastante preocupante", constatou o MozaNorte.
O mesmo cenário verifica-se nos postos administrativos de Mavala, no distrito de Balama; Meloco e Machoca, em Montepuez; Ncupe, em Namuno; e nas localidades de Nacuta e N'tesa, no distrito de Metuge.
Entrevistado pelo MozaNorte, Ernesto Ali, residente no Posto Administrativo de Mavala, distrito de Balama, atribuiu a persistência das uniões prematuras à pobreza e às mudanças de comportamento entre os jovens.
"Quando aconselhamos as nossas crianças, elas dizem que a pobreza as obriga a procurar melhores condições de vida. Muitos acreditam que esta é a única forma de sobreviver", afirmou.
Ernesto Ali acrescentou que muitas adolescentes enfrentam sérias dificuldades durante a gravidez e após o parto.
"Embora digam que pertencem a uma nova geração, muitas sofrem durante a gravidez, perdem o apetite e, depois do parto, enfrentam dificuldades na amamentação, o que acaba por afectar também o desenvolvimento dos bebés", explicou.
Perante este cenário, os residentes apelam ao Governo provincial e ao sector da Saúde, em coordenação com os parceiros de cooperação, para reforçarem as campanhas de sensibilização e assistência nos postos administrativos, localidades e aldeias, de modo a prevenir as uniões prematuras e garantir acompanhamento às adolescentes desde a gravidez, parto e período de amamentação. (Abel Buruhane)

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