Cabo Delgado registou pelo menos 1.401 novos deslocados durante o mês de agosto de 2026, na sequência da violência armada e da insegurança que continuam a afectar várias comunidades da província.
Entre Janeiro e Agosto, o número acumulado de pessoas deslocadas chega a pelo menos 29.564, segundo dados das Nações Unidas e da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
A intensificação dos ataques obrigou centenas de famílias a abandonar as suas zonas de origem em busca de segurança. Entre os episódios registados em Agosto, destaca-se um ataque no distrito de Balama, que terá provocado a fuga de pelo menos 531 pessoas, incluindo 204 crianças.
Outro incidente, ocorrido em meados do mês, levou 819 pessoas a abandonar a sua aldeia. De acordo com relatos, muitas delas fizeram a deslocação a pé, numa fuga marcada por condições particularmente difíceis e que envolveu um número elevado de crianças.
A situação evidencia a persistência da crise humanitária em Cabo Delgado, onde mulheres e crianças continuam entre os grupos mais afectados pela violência e pelos deslocamentos forçados. Muitas famílias percorrem longas distâncias para alcançar zonas consideradas mais seguras, frequentemente sem acesso adequado a alimentação, água potável, abrigo e cuidados de saúde.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) mantém o acompanhamento dos movimentos populacionais através da sua Matriz de Monitoria de Deslocamentos (Displacement Tracking Matrix – DTM), que permite identificar as áreas de origem e destino das populações afectadas e apoiar a resposta humanitária.
Apesar dos esforços das organizações humanitárias, as necessidades continuam elevadas nas comunidades de acolhimento e nos centros de trânsito. Abrigo, alimentos, água potável, saneamento e assistência médica permanecem entre as principais necessidades das famílias que chegam às zonas de acolhimento.
Os novos deslocamentos registados em Agosto confirmam que, apesar das operações de segurança e dos esforços de assistência, a violência armada continua a provocar movimentos populacionais significativos em Cabo Delgado.
Com 29.564 pessoas deslocadas entre Janeiro e Agosto, a crise continua a representar um dos principais desafios humanitários de Moçambique, exigindo uma resposta contínua para proteger as populações afectadas e garantir condições mínimas de sobrevivência e dignidade. (MozaNorte)

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