Ilha de Moçambique reforça combate ao consumo de drogas nas escolas

O consumo de drogas entre jovens continua a preocupar a comunidade escolar, apesar dos esforços de prevenção e sensibilização em curso nas instituições de ensino do distrito. Professores, alunos e encarregados de educação relatam que o fenómeno persiste, influenciando o comportamento, o rendimento escolar e o futuro dos estudantes.

Na escola secundária da Ilha de Moçambique, o professor Mário Tenente afirmou que a situação está “um pouco contornada” devido à existência de núcleos de combate às drogas envolvendo alunos e professores. Segundo o docente, o consumo de substâncias como suruma e outras conhecidas localmente tem sido observado em alguns casos.

O professor destacou que o primeiro sinal do consumo é a mudança de comportamento dos estudantes, sobretudo a agressividade e o afastamento das atividades escolares. Ele alertou ainda que muitos jovens acabam por abandonar a escola e comprometer o seu futuro devido ao envolvimento com drogas.

“O aluno deixa de desempenhar o seu papel na escola e pode acabar por desistir dos estudos”, referiu.

Mário Tenente defende que a prevenção deve passar pela abstinência e pela criação de alternativas para os jovens, como o autoemprego e o incentivo ao desporto.

“A solução é abster-se das drogas e criar oportunidades para os jovens, como o desporto e o trabalho”, acrescentou.

Influência dos amigos e curiosidade preocupam educadores

O aluno Jorge Felisberto explicou que muitos jovens iniciam o consumo por influência de amigos ou por curiosidade, sendo muitas vezes pressionados a experimentar drogas para “sentirem uma nova experiência”.

Segundo ele, essa influência pode levar à dependência e à destruição dos sonhos dos jovens.

“As drogas estragam o futuro e impedem o estudante de prosseguir os seus sonhos”, afirmou.

O estudante apelou aos jovens para evitarem o consumo, mesmo em situações de dificuldades económicas, defendendo o estudo como caminho para o futuro.

“Mesmo com dificuldades, é preciso estudar e lutar por uma vida melhor, sem entrar em drogas”, aconselhou.

Jovens alertam para riscos do vício

A estudante Abiba Plana Chale destacou que muitos jovens começam a consumir drogas por curiosidade, influência de amigos ou para fugir de problemas familiares e stress.

Ela explicou que, embora alguns pensem que o consumo é inofensivo, a dependência pode instalar-se rapidamente, levando à perda de relações familiares, abandono escolar e destruição do futuro.

“Quando o vício se instala, a pessoa passa a viver apenas para conseguir drogas, esquecendo a família e os estudos”, alertou.

Famílias pedem mais apoio das autoridades

Entre os encarregados de educação, uma mãe relatou a sua experiência com um filho consumidor de drogas, referindo sinais como olhos vermelhos e sonolência frequente.

A encarregada de educação afirmou que tem tentado dialogar com o filho, mas sem sucesso, e pediu maior intervenção das autoridades e da escola no combate ao problema.

“Falo com ele sobre as consequências, mas ele não quer ouvir. Preciso de apoio dos professores e das autoridades”, desabafou.

Um desafio coletivo

Os relatos mostram que o consumo de drogas entre jovens na Ilha de Moçambique resulta de vários fatores, incluindo influência de amizades, curiosidade, problemas familiares e falta de ocupação.

Professores, alunos e famílias defendem o reforço das ações de prevenção, criação de oportunidades para jovens, promoção do desporto e fortalecimento do diálogo entre escola, família e comunidade como caminhos essenciais para enfrentar o problema. (Aminatho Zaharia Atumane)

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