A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nacala Porto, província de Nampula, deteve duas senhoras, mãe e filha, indiciadas pelos crimes de incitamento à violência e disseminação de desinformação sobre a origem da cólera.
As mesmas são acusadas de alegadamente instigar a população contra o líder do bairro de Ribáuè, imputando-lhe a responsabilidade pela propagação da doença diarreica aguda, associada à cólera.
O incidente ocorreu no bairro de Ribáuè, onde se viveu um ambiente de grande agitação e tensão. Um grupo de indivíduos até então desconhecidos, munidos de catanas e outros objetos contundentes, deslocou-se por volta das 20 horas do dia 8 de fevereiro à residência do líder comunitário.
No local, arrombaram a porta, causaram danos materiais, agrediram fisicamente o líder e mantiveram-no em cativeiro, acusando-o de ser um dos responsáveis pela propagação da cólera no bairro.
Até ao momento, a comunidade regista um total de sete casos positivos de cólera, dos quais dois são menores de idade.
As detidas negam as acusações que sobre elas recaem e apresentaram a seguinte versão dos factos. Segundo a mãe “Estou aqui detida com a minha filha, acusada de ser agitadora para a agressão do líder ‘Chaual’, no bairro de Ribáuè. Houve um grupo de pessoas que se dirigiu à casa do líder, arrombou a porta e destruiu alguns bens. Eu não fazia parte do grupo, apenas estava à distância a observar o que acontecia.”
A filha, por sua vez, reforçou “Estou presa juntamente com a minha mãe, acusada de liderar um grupo que causou estragos na casa do líder. Eu e a minha mãe somos apenas vizinhas dele. Fomos detidas quando nos dirigíamos ao mercado grossista do Juma.”
Por seu turno, o Comando Distrital da PRM em Nacala, através de Hermenegilda Jacob, comandante do posto policial de Naherengue e porta-voz do comando distrital, pronunciou-se nos seguintes termos.
“É de lamentar o sucedido. Nos últimos dias tem-se registado muita desinformação sobre a cólera. Por volta das 20 horas do dia 8 de fevereiro, um grupo ainda não identificado dirigiu-se à residência do líder do bairro de Ribáuè, munido de instrumentos contundentes como catanas e facas. Arrombaram o portão, vandalizaram bens e mantiveram o líder como refém.
A polícia tomou conhecimento do caso e, através de uma força conjunta, conseguiu resgatar o líder, que se encontra em bom estado de saúde. Os indivíduos alegam que o chefe de quarteirão estaria a distribuir a cólera. Quanto às duas senhoras detidas, será instaurado um processo-crime para que respondam criminalmente.”
Dados em nosso poder indicam que o bairro de Ribáuè tem vivido momentos de tensão entre a população e a liderança comunitária, sendo o líder acusado de disseminar a cólera. Há ainda relatos de ameaças de sequestro de familiares do líder como forma de pressão. As detidas encontram-se atualmente sob custódia policial no posto policial da Matola, no bairro com o mesmo nome. (Gabriel Cassimo)


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