Cobranças ilícitas por agentes da PRM são pão de cada dia num posto de controlo em Palma

 


Nos postos de controlo da zona norte, especialmente nas áreas afectadas pelo terrorismo, não é novidade a ocorrência de cobranças ilícitas. Esse problema é difícil de combater, pois as vítimas são forçadas a entregar dinheiro devido a ameaças feitas por agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) destacados nesses locais.

O posto em questão está localizado no distrito de Palma, na estrada que dá acesso à região de Quionga, próximo ao aeródromo de Palma. Embora a presença do posto tenha sido inicialmente vista como positiva para a segurança, o comportamento dos agentes ali destacados tem causado transtornos constantes aos viajantes que utilizam aquela via.

Nenhuma mota ou carro passa por aquele posto sem ser obrigado a deixar algum valor, o qual varia conforme os bens transportados no veículo. Os únicos veículos que geralmente não são interceptados pertencem à empresa AML, que transporta pedras para o acampamento de Afungi, e os de outros membros das forças armadas ou da polícia. Já os taxistas são os mais visados e afirmam não ver uma solução à vista para essa situação.

As cobranças para motorizadas iniciam-se em 100 meticais, podendo ser muito mais elevadas, especialmente em dias de maior movimento. 

A via é bastante utilizada tanto por estrangeiros quanto por nacionais, e muitos comerciantes do distrito de Palma a utilizam para ir à Tanzânia buscar mercadorias. Quando retornam, acabam por pagar valores altos no posto de controlo, o que encarece ainda mais os seus produtos.

No local, os agentes construíram uma cabana improvisada, onde realizam essas cobranças. Colocaram também uma fita para bloquear a estrada um sinal claro de que ninguém passa sem ser parado. Em alguns casos, pessoas que se recusam a pagar são levadas para capinar ao redor da cabana, como forma de punição.

Algumas das fontes que relataram esses abusos são vítimas frequentes, que usam a estrada com os seus clientes. As motorizadas são o meio de transporte mais comum naquela via, inclusive chegando diretamente à fronteira com a Tanzânia para deixar e buscar passageiros.

As vítimas apelam às autoridades competentes para que tomem medidas urgentes no sentido de acabar com essas práticas abusivas e restabelecer a legalidade no posto de controlo. (BP)

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