Residentes das ilhas a sul de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, sofrem cada vez mais com ameaças de terroristas que, por vezes, nem chegam a ser terroristas, mas sim homens armados que se aproveitam da situação.
Entre quinta e sexta-feira da semana passada, as ilhas de Muissune e Quifuque, no distrito de Mocímboa da Praia, nas proximidades da ilha de Nhonje, foram alvo de incursões, durante as quais foram saqueados bens da população local.
Durante a circulação desses indivíduos nas ilhas, alguns pescadores foram encontrados a exercer as suas atividades. Estes foram capturados e obrigados a ligar para o proprietário da embarcação, exigindo o pagamento de um valor para o resgate dos marinheiros.
Os valores exigidos iniciavam em 50.000 meticais. Após terminarem as suas incursões naquelas ilhas, os homens armados conseguiram ainda levar algumas embarcações e motores, que passaram a usar para se deslocar para outras zonas ou se calhar ao seu esconderijo.
Segundo as nossas fontes, algumas horas depois surgiram militares moçambicanos da Marinha de Guerra, mas não conseguiram agir, uma vez que os atacantes se misturavam com a população nas ilhas por onde passaram.
Os habitantes nas ilhas e nas zonas costeiras são os principais alvos de terroristas ou homens armados que atacam no distrito de Mocímboa da Praia e noutros distritos da província de Cabo Delgado.
Mesmo com estas movimentações, os residentes não conseguem abandonar as suas aldeias. Explicam que, em outros locais fora das suas comunidades, não conseguem sobreviver, pois o custo de vida é mais elevado em comparação com as suas aldeias de origem.
Os residentes relatam que, sempre que esses grupos aparecem, saqueiam bens das barracas e cobram dinheiro às pessoas, mas não levam ninguém consigo. Esta situação tem causado muita agitação na zona, e há pessoas que evitam sair de casa por medo.
Os residentes e pescadores que trabalham regularmente naquela área reclamam cada vez mais destes acontecimentos, pois não há crescimento nas suas actividades pesqueiras devido às acções dos homens armados: num dia cobram dinheiro, noutro levam motores, o que inviabiliza qualquer progresso.
Actualmente, os homens armados já se retiraram das ilhas, e as Forças de Defesa e Segurança estão a realizar patrulhas diárias nos locais mais vulneráveis do distrito de Mocímboa da Praia. (BP)

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