Chiúre: Namparamas impõe restrições a mulheres muçulmanas no Posto Administrativo de Catapua

Os Namparamas do distrito de Chiúre introduziram medidas restritivas que afectam directamente a comunidade muçulmana no Posto Administrativo de Catapua, uma situação que pode violar o direito humano relativo a religião.

Entre as imposições, destaca-se a proibição de mulheres muçulmanas usarem o véu (hijab) que cobre todo o corpo, contrariando práticas religiosas tradicionais daquela seita.

A medida surge após o encerramento, na semana passada, de uma mesquita recém-inaugurada naquela localidade, sob suspeitas de ligações com grupos terroristas que têm semeado instabilidade no distrito de Chiúre, nos últimos dias.

Com essa decisão, o referido grupo tradicional está a violar direitos humanos fundamentais, consagrados na Constituição da República de Moçambique, que garante a cada cidadão a liberdade de professar qualquer religião.

De acordo com fiéis muçulmanos contactados pelo Mozanorte, a medida é considerada inadequada, mas muitos afirmam que estão a cumprir por medo de possíveis represálias por parte dos Namparamas.

“Eu sou Amina, vivo no bairro de Muanona. Nós as mulheres ouvimos essa informação de que os Namparamas não querem ver mulheres usando hijab. Mas nem todas as pessoas que usam hijab estão ligadas ao terrorismo. Além disso, são os próprios Namparamas que controlam esse posto. Será que, quando vier uma pessoa desconhecida, eles não saberão? Ou será que todos os insurgentes são muçulmanos?”, questiona Amina, visivelmente indignada.

A decisão não foi bem recebida pelas mulheres muçulmanas, que dizem estar a seguir a imposição apenas porque os seus maridos lhes ordenaram que retirassem o véu. 

Elas apelam à direcção da mesquita local para que dialogue com os Namparamas, no sentido de negociar o fim dos tumultos e da associação indevida entre o islamismo e o terrorismo. (CC)

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