A aldeia de Mang’oma viveu um dia de tensão e medo nesta segunda-feira (4), após a passagem de um grupo de terroristas nas proximidades, em direção à região de Chitolo. O episódio provocou o cancelamento quase total das atividades agrícolas, principal fonte de sustento local, e levou dezenas de famílias a se deslocarem temporariamente para a vila-sede de Mocímboa da Praia.
Segundo relatos de moradores, o clima na aldeia tornou-se silencioso e apreensivo após o avistamento dos insurgentes. A presença dos grupos armados na região reacendeu os temores de novos ataques e aprofundou o sentimento de insegurança vivido por milhares de pessoas no norte de Moçambique.
O deslocamento voluntário de parte da população foi visto como medida de protecção. Apesar de dolorosa, a decisão reflecte a prioridade dada à preservação da vida. Autoridades locais ainda não confirmaram confrontos directos, mas permanecem em alerta, reforçando a vigilância e tentando tranquilizar os residentes.
Desde o início do conflito em Cabo Delgado, em 2017, comunidades como Mang’oma enfrentam constantes ameaças de violência, deslocamentos forçados e insegurança alimentar. Em 2025, o cenário ainda permanece crítico, porque Mang’oma, têm sua estrutura social e económica comprometida.
Apesar das adversidades, gestos de resistência e
solidariedade florescem. Alguns moradores permanecem nas terras, garantindo o
mínimo de continuidade na produção agrícola, enquanto outros se mobilizam para
acolher os deslocados. Essas iniciativas mostram que, mesmo diante do medo, ainda
há esperança. (Armando António)

0 Comments