Mesmo em plena zona de conflito, a exploração de recursos naturais parece não ter pausa. No distrito de Macomia, centro de Cabo Delgado uma das regiões mais afectadas pelos ataques terroristas nos últimos anos, moradores locais denunciam a exploração de madeira por parte de uma empresa estrangeira que opera aparentemente sem qualquer consulta à comunidade.
Segundo relatos de residentes da vila-sede de Macomia, a referida empresa instalou-se na região há algum tempo e realiza, com frequência, incursões nas matas circundantes para cortar e transportar madeira. O destino final desses carregamentos permanece desconhecido para a população.
O que mais indigna os habitantes locais é o facto de a exploração estar a decorrer alegadamente sem transparência nem informação pública sobre a sua legalidade, muito menos sobre eventuais contrapartidas sociais para a comunidade.
“Não sabemos de onde veio essa empresa, nem o que ela veio fazer aqui ao certo, embora seja assunto de madeira. Só vemos os caminhões a irem e voltarem com madeira. Ninguém nos explicou nada”, contou um morador sob anonimato.
A população questiona ainda a decisão das autoridades em permitir a exploração de recursos naturais numa zona onde a prioridade, segundo defendem, devia ser a segurança e o retorno à normalidade.
“O governo devia primeiro garantir estabilidade. Ainda há medo, ainda há deslocados. E agora vêm cortar madeira como se nada estivesse a acontecer?”, lamentou uma líder comunitária local.
Até ao momento, as autoridades distritais e provinciais ainda não prestaram esclarecimentos públicos sobre a legalidade da exploração, nem sobre a identidade da empresa envolvida.
A situação levanta preocupações sobre a governança dos
recursos naturais em contextos de fragilidade, num momento em que Cabo Delgado
tenta recuperar dos impactos de anos de violência armada. (Mozanorte)

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